segunda-feira, 27 de abril de 2020

DEMISSÃO DE MORO CHAMA CIRO GOMES PARA O DEBATE

Moro e Ciro poderão duelar forte em 2022

Por: Walter Brito

Dia 23/4 é o dia de São Jorge aqui no Rio de Janeiro e, depois do carnaval, é a data mais importante da Cidade Maravilhosa. Mas o justiceiro São Jorge chegou chegando mesmo foi em Brasília, a capital de todos os brasileiros.
A demissão de Sérgio Moro faz o Brasil viver uma situação inusitada e nunca vista antes em nossas fronteiras. Além da Pandemia da Covid-19, que assusta o mundo e ameaça a vida de brasileiros de todos os cantos, já com quase quatro mil mortes e aproximando de sessenta mil infectados, agora a crise política antecipa a sucessão presidencial.

Bolsonaro deverá governar até o final de seu mandato. Michelle dá suavidade ao governo Bolsonaro
Sabemos que em nenhum momento Moro tenha pedido para sair do governo formalmente, mas foi demitido em condição sumária por Jair Bolsonaro, de temperamento imprevisível e, pelo que parece, nunca almejou ser uma ‘rainha da Inglaterra’ no poder.
A popularidade de Moro no primeiro ano de governo fez do homem de Curitiba um personagem muito poderoso no governo, o que incomodou sobremaneira a Bolsonaro e seu clã familiar.
Por isso, sob a orientação do vereador carioca, o Carluxo, Bolsonaro foi, aos poucos e estrategicamente, tirando os poderes do superministro Sérgio Moro. O pacote anticrime de Moro foi desfigurado; o Coaf, pérola mágica do ministro, saiu de suas mãos de forma articulada. Logo, Moro, que tinha carta branca e porteira fechada no ministério, não podia mais manter seus escolhidos, e aliás foi impedido de nomear a cientista política Ilona Szabó para sua pasta.

Carlos Bolsonaro nada produziu como vereador no Rio. Funciona bem como mentor da clã Bolsonaro

Carlos Bolsonaro, que nada produziu como vereador no Rio durante seus mandatos, mas é, presumidamente, o pensador da política que sustenta o clã Bolsonaro no poder, certamente foi o estrategista que derrubou o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, no dia de São Jorge.
Como se observa, Moro tinha ciência de que seria defenestrado do poder, desde o dia em que pediu demissão da magistratura. Uma pista importante disso ocorreu na fatídica noite de quinta-feira, 23/4, quando Valeixo ligou para Moro avisando que sua demissão seria publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte, a pedido. Imediatamente, Moro acionou seu Plano A, possivelmente montado antes de sua nomeação como ministro do governo Bolsonaro. Acredito que, antes de ser nomeado, de forma detalhada com a “república de Curitiba”, seus conselheiros internacionais e os poderosos da mídia nacional, que sua saída da magistratura, depois de 22 anos de serviços prestados e seu nome em alta por muito tempo, inclusive como a maior personalidade das mais altas rodadas de conversas informais do país, Moro certamente estudou, com muita antecedência, o comportamento explosivo e imprevisível de Bolsonaro, conhecido pela maioria que acompanha a política nacional, desde o primeiro mandato como vereador no parlamento municipal do Rio de Janeiro.
Quando Moro entrou no governo, sabia que não ficaria muito tempo. Convicto de que foi um dos responsáveis pela eleição de Bolsonaro, obviamente imaginou que seria usado para dar credibilidade ao governo bolsonarista. Na sua cabeça, Moro usaria o cargo como escada para chegar ao Palácio do Planalto e ocupar sua principal cadeira.
Embora não domine a língua portuguesa como deveria, como critica constantemente o jornalista Reinaldo Azevedo, Moro também não é considerado um grande jurista, dizem alguns conhecedores do direito. Entretanto, Moro pensa bem, é determinado de forma extrema, ambicioso, além de ter sido bem treinado no país do Tio Sam.
Quanto às críticas de Reinaldo Azevedo, referentes aos erros crassos de português e o questionamento de juristas de proa, que não dão crédito ao saber jurídico do paranaense, isso evidentemente não tem tanta importância, sobre liderar os rumos de um país. A capacidade de influenciar e mobilizar pessoas em prol de um objetivo é o diferencial entre um grande líder e um chefe comum. Nesta seara, Moro dividiu os bolsomínions ao meio, começando pelo Congresso Nacional.
Existem muitos chefes políticos no Brasil e no mundo que não dominam sua própria língua, mas têm uma capacidade enorme de mobilizar pessoas, principalmente em países de pouca escolaridade.
No caso específico de Sérgio Moro, que treinou mais que estudou e sempre nutriu uma gana pelo poder desde infante, não importa a Pandemia da Covid-19, com a hora de sair no governo, o fundamental é o seu tempo. Neste sentido, vale lembrar que na juventude plena de Moro no Paraná, sua referência era o então poderoso Álvaro Dias, hoje senador pelo Podemos. Grande tribuno e dono de um discurso eloquente, Álvaro Dias era admirado por Moro que cursava o ginasial. Moro já sabia, de antemão, que não seria tão eloquente quanto o seu primeiro ídolo, mas declarou em sua juventude que seria um Álvaro Dias, pois ele queria o poder.
Neste sentido, Moro abandonou a magistratura, mesmo com o protesto de seus pares e, na sua cabeça, o seu tempo como magistrado tinha chegado ao fim e saiu de Curitiba com o sentimento único de liderar o país. Sabemos que por mais de 500 anos a corrupção rolou solta, e Moro, com a marca forte da anticorrupção, sempre teve como plano A ser o comandante maior da nação brasileira.
No governo Bolsonaro ele aguardava o seu momento certo, mesmo engolindo sapos, sendo chamado à atenção publicamente por Bolsonaro, num tempo em que sua popularidade era maior que a do presidente. Ainda assim, ele aguentou firme, pois a hora não era aquela.
Bolsonaro, já desgastado pelas forças políticas sob o comando do poderoso DEM, representante da mais poderosa oligarquia que governou o país com mãos de ferro, desde as capitanias hereditárias, na Pandemia da Covid-19, mais poderoso ainda, pois além de comandar o Congresso, com Rodrigo Maia na presidência da Câmara e David Alcolumbre no comando do Senado, o deputado mineiro do DEM, o médico e então ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta, foi transformado em primeiro-ministro, enquanto que Jair Bolsonaro posava de ‘rainha da Inglaterra’ travestido de menino teimoso, que saía pelas padarias, farmácias e até churrasquinhos de gato, no intuito de salvar a economia. Nesse momento crucial, Moro deu força para Mandetta, pois precisava conquistar os poderosos da nação, que tramaram as capitanias hereditárias.
Se ocorresse uma reviravolta qualquer na política nacional, e se diminuísse o poder de Moro, ele até que poderia pensar no Supremo e concordar com a proposta da deputada Carla Zambelli e dizer sim, ao contrário do: "NÃO estou a venda", sem crase no a. Não é, professor Reinaldo Azevedo?
Moro continuava poderoso e seguro de si e naquela noite, dia de São Jorge, em Brasília, Moro, ao receber o telefonema de seu braço direito, que seria demitido a pedido, Moro que é bem treinado, lembrou-se que seria falsidade ideológica a publicação da exoneração de seu apaniguado sem a assinatura do ministro da Justiça. Mais uma prova contra Bolsonaro. Por isso, ele uniu o útil, que era a demissão de seu homem de confiança na Polícia Federal, com o agradável, a exoneração, sem sua assinatura. Imediatamente Moro acionou a imprensa e convocou a reunião das 11 horas em seu gabinete.
Com todo o poder nas mãos, a essa altura do campeonato, Moro estava pouco se lixando para a Pandemia da Covid-19, com a vida dos 407 brasileiros que tinham morrido naquele dia e os outros milhares que poderão morrer daqui para a frente. Muito menos com o Supremo, que na verdade nunca lhe interessou. Depois de sua fama, ele não tinha interesse de se submeter ao saber jurídico existente na Suprema Corte, principalmente depois de ter sido criticado por Bial na TV Globo, ao pronunciar cônjuge erradamente.
Vale ressaltar que, depois da fama de maior personalidade pública da América Latina, ele não estava preocupado com a segurança de sua família, caso lhe acontecesse um mal maior e muito menos em arranjar emprego, como foi dito em sua coletiva para a imprensa. Trata-se de jogada de marketing para o povão ou para inglês ver.
Depois da fama, o futuro do ex-juiz e de sua família estão mais que garantidos.
Bolsonaro, por meio das orientações do filho, partiu para o ataque. Refiro-me ao vereador Carlos Bolsonaro, do Rio, que obteve 106.157 votos em 2016 , mas nada fez pela cidade de São Sebastião. Ele funciona como mentor e estrategista político do clã Bolsonaro.
A maioria pensa, Bolsonaro vencerá a disputa do disse-me-disse contra Moro, apesar dos indícios criminosos e algumas evidências. Ele certamente não conseguirá apagar a popularidade de Moro, mas receberá apoios consideráveis, dentro e fora do Brasil. Não é de seu feitio renunciar ao seu mandato, como muitos querem, entre eles, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Bolsonaro é cria do Moro e Moro foi pago por meio do cargo de ministro da Justiça, que viabilizou seu projeto rumo ao Palácio do Planalto. Portanto, nenhum deve nada para o outro. Tudo indica que ambos disputarão a presidência da República. A largada foi dada em plena Pandemia do Coronavírus e no tempo escolhido por Sérgio Moro. Resta saber quem serão os outros nomes para o Planalto em 2022. A priori, destacam-se pelo centro-direita: João Dória (PSDB), Luciano Huck (sem partido), Wilson Witzel ( PSC), General Hamilton Mourão (PRTB), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Fernando Collor ( PROS) e o brigadeiro Átila Maia (PTB). Pelo centro-esquerda:  Ciro Gomes (PDT), Flávio Dino (PCB) e Fernando Haddad (PT).


No espectro da direita, alguns se insinuarão como presidenciáveis, tais como: Henrique Meirelles (MDB), Rodrigo Maia (DEM), entre outros, mas, na verdade, estes farão lob para se emplacarem em alguma vice competitiva.
Diz o ditado popular que a esquerda só se une na cadeia. Por isso, sabemos que dificilmente sairá uma aliança com o PT, que o partido do ex-presidente Lula não seja cabeça de chapa. Flávio Dino (PCB), governador do Maranhão, certamente já está conversando muito, pois é um excelente quadro e poderá  tentar convencer Lula, que com a direita rachada entre os dois maiores líderes Moro e Bolsonaro, a saída lógica é a unidade na diversidade, ou seja, mesmo que tenham pensamentos diversos, salvar a democracia é maior que a ganância do poder pelo poder.

O Saudoso Luiz Gushiken era Bahá'í. Ele explicou para Lula, o que é a unidade na diversidade. Tomara que o ex-presidente se lembre dos ensinamentos de seu ex-ministro
No meu entendimento, embora Lula seja ainda um importante líder e em recuperação de sua imagem devido aos 580 dias de cadeia em Curitiba, ele ainda é um doente que, sadio, certamente ainda terá muita força, mas o momento é do cearense Ciro Gomes, do PDT de Brizola.
Ciro tem em seu currículo um histórico invejável como parlamentar e gestor público. Deputado estadual do Ceará, prefeito de Fortaleza, deputado federal, governador do Ceará, ministro da Fazenda e ministro da Integração Nacional. Nas suas quatro décadas de vida pública, não consta nenhum ato de corrupção e por onde passou deixou sua marca forte como parlamentar e gestor público de grande competência. Entre todos os pré-candidatos acima colocados, Ciro é sem dúvidas o melhor debatedor dos problemas nacionais. Sua verve afiada e seu preparo intelectual, o profundo conhecimento da economia nacional e internacional são fundamentais neste momento de Pandemia, crise política e a economia no fundo do poço. O apelo que Ciro Gomes tem no Nordeste brasileiro e os 13. 344.366 de votos na eleição de 2018, sem a estrutura partidária que tem a poderosa máquina do PT, obviamente o cearense tem as credenciais de conduzir os progressistas, no momento da derrocada de um dos maiores líderes da esquerda no mundo, que foi Luiz Inácio Lula da Silva, coincidentemente com crise pandêmica da Covid-19, que assombra o mundo e mata brasileiros de todos os cantos, de todas as idades e segmentos sociais, sem piedade, além da crise política que se instalou na poderosa, mas frágil nação brasileira.
Por isso, precisamos fazer valer o título desta matéria: A demissão de Moro chama Ciro Gomes para o debate! Independentemente de cor partidária, o Brasil pede socorro e temos que contar agora com brasileiros que estão preparados para a hora certa. Atenção, líderes da esquerda: Lula, Flávio Dino, PSOL, PSB, entre outros, a hora é de união. Vamos unir as melhores cabeças desta nação e deixar que São Jorge faça justiça nas eleições de 2020 e 2022.

Contato com o jornalista Walter Brito: 61- 996624395

sábado, 25 de abril de 2020

Covid-19: Secti firma convênio de R$ 30 milhões em pesquisas e tecnologia para soluções inteligentes no DF

" Os investimentos devem estar voltados para a ciência, para que doutores e mestres apliquem seus conhecimentos em prol da saúde", disse Gilvan Máximo (foto), secretário de Ciência e Tecnologia do GDF


Para conter a pandemia do novo coronavírus no Distrito Federal, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) estabeleceu parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa (FAP), a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec). Será investido o total de R$ 30 milhões exclusivamente para pesquisas e estudos que possam ajudar a população. O acordo foi firmado nesta quarta-feira (22) em cerimônia no Palácio do Buriti.

O secretário de Ciência e Tecnologia, Gilvan Máximo, prevê que os investimentos sinalizados para todas as etapas sejam feitos em mais de 100 projetos. “Trata-se de mais uma iniciativa sensível do GDF diante deste momento em que estamos vivendo, no qual os investimentos devem estar voltados para a ciência, para que doutores e mestres apliquem seus conhecimentos em prol da saúde”, destaca o secretário. 

O projeto visa à produção de materiais de testagem e mapeamento do contágio da doença na cidade, uma iniciativa que vai envolver pesquisadores da UnB. “A nossa parceria com o GDF só tem avançado e se estreitado. Gostaria de parabenizá-lo pelas ações [no combate à Covid-19]. Pretendemos cada vez mais estar à disposição do DF e que passe logo este momento”, declarou a reitora da UnB, Márcia Abrahão.

A parceria conta ainda com outros dois eixos prioritários, que serão aplicados em etapas seguintes. Um será focado no apoio a programas direcionados para a solução de demandas da Secretaria de Saúde, como o diagnóstico e a saúde das equipes de atendimento; e o outro irá fomentar o setor produtivo – como startups, micro e pequenas empresas – com ações e projetos de inovações tecnológicas e produtos voltados ao controle da doença e às consequências da pandemia de coronavírus no Distrito Federal.

O diretor-presidente da FAP-DF, Alessandro Dantas, também parabenizou a iniciativa da Secretaria de Ciência e Tecnologia e enfatizou que a atuação articulada entre governo, academia e setor produtivo é uma valiosa estratégia para o fortalecimento da capacidade de ação baseada em ciência, tecnologia e inovação. 

O governador Ibaneis Rocha acredita que somente por meio da pesquisa e da integração tecnológica iremos conseguir levar saúde à população do DF na forma que ela merece. "No Brasil, durante muitos anos, achou-se que saúde era feita dentro dos hospitais. Não é por aí. Saúde se faz exatamente na ponta, cuidando de quem precisa no dia a dia, evitando, assim, que as pessoas cheguem às portas das UPAs e hospitais”, declarou o governador. “Esperamos que esse conjunto de tecnologia e estudos seja uma constante no Distrito Federal”, acrescentou. 

As assinaturas que constam na parceria são do governador Ibaneis Rocha, do secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Gilvan Máximo, da reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão, do diretor da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), José Alessandro Araújo, e do chefe da Casa Civil, Valdetário Monteiro. O secretário-adjunto de Gestão em Saúde, Eduardo Pojo, também participou do ato.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

BRASIL RASGADO


Antonio Victor é formado em letras pela UnB e é professor da Secretaria de Estado de Educação do DF

Antonio Victor

Já vivi mais do que viverei. Alguma experiência trago nesses anos todos que por serem pretéritos já não mais me pertencem. Não pensei, nem em sonho ou pesadelo, que viveria para assistir a um ser invisível colocar todo o planeta de joelhos. Também o Brasil não foi poupado. Não apresenta o mesmo cenário de terra arrasada de algumas nações, especialmente da velha e segura Europa, mas com um agravante que antecede à onda viral e, aproveitando-se dela, se faz mais robusto no presente. Nunca pude imaginar que seria contemporâneo de uma população que habita um país trincado, dividido, rachado. Nunca fui adepto dos extremos, mesmo quando me enredei por esse caminho nos meandros do coração, porque o preço vem. Inevitavelmente. Prefiro ser chamado de tímido a ser chamado atrevido. Acho que a isso se pode chamar equilíbrio.
                                                                                                                                                                   
Não, não me considero sem opinião ou sem postura, ainda que alguém possa querer atribuir-me a pejorativa posição do em cima do muro. Por mais que o gato que se refugia em cima do muro permaneça protegido das garras do cão raivoso, esse não é, definitivamente, o meu estado. O meu estado é o da observação. Da análise. Do raciocínio que me dá a oportunidade cotidiana de ver o que muitos já não conseguem ou não desejam enxergar. Percebo com tristeza que estamos perdendo a capacidade enriquecedora do diálogo, porque diálogo pressupõe a possibilidade da convivência harmoniosa de opiniões diferentes, e parece que discordar virou coisa altamente ofensiva, algo que foge inteiramente ao campo saudável das ideias e se apossa do minado terreno da agressividade verbal, quando não se chega às vias de fato.

O politicamente correto se confunde com o incorreto político. Os polarizados, os extremos opostos se arvoram cada qual com suas razões, e a divisão se instala na sala, na cozinha, na mesa do jantar, no barzinho da esquina, nos bastidores do teatro, nos andaimes da construção, nas redações da imprensa, nos corredores do hospital, nos bancos da igreja, nas mansões e nos barracos, sem dizer da enxurrada de fake news disparadas às vezes por pessoas bem-intencionadas, mas carentes de critério antes de propagar mentiras de teor explosivo, capaz de detonar em pouquíssimo prazo reputações construídas ao longo de anos ou de uma vida inteira. As redes sociais viraram campo de guerra, com armas baixas de alto calibre nocivo, onde muitas personalidades fracas se transformam em gigantes perversos ocultos atrás do anonimato a provocar reações morais cada vez mais virulentas.

Estabeleceu-se no Brasil uma estranha dicotomia do Nós e Eles, e, como processo dicotômico de opostos que se complementam, o Eles e o Nós se confundem, ainda que os que assim se dividem não aceitem a condição de se completarem. Mas se completam. No campo ideológico, paradoxalmente, a falta de ideias faz com que estas cedam lugar a argumentos mesquinhos, ou à falta deles, a ataques pessoais com agressividade gratuita em claro desrespeito à condição de ser humano do outro que, por discordar de sua opinião, deixa de ser um referencial de diálogo e passa a ser adversário que rapidamente evolui para antagonista e alcança num piscar de olhos o posto de fero inimigo. Está selada a discórdia, e ambos, na maioria das vezes, ainda que ancorados na falta de ideias e argumentos plausíveis, se sentem aptos a um duelo de informações geralmente equivocadas e insultos infantis, porém perigosos, porque contribuem flagrantemente para a divisão.

Antes, era apenas a divisão de classes, outro binômio cruel: pobre-rico, empregado-empregador, proletário-burguês. Agora é a divisão individual. Por questões falsamente ideológicas irmãos se afrontam, filhos desdenham pais, casais se humilham, vizinhos se isolam, velhas amizades enfraquecem, quando não se rompem definitivamente. Nossos governantes, infelizmente, têm sido bons nessa praia. Essa prática maléfica, que não é de hoje, é acentuada de forma escancarada no governo atual. Parece que não governa uma nação, governa apenas para os seus eleitores, instiga-os ao confronto com os demais do país, faz mimos e agrados nas redes sociais, imita a fala e o gesto do populacho, que vai ao delírio. E se dá o direito de atacar quem não comunga de suas ideias... e acentua ainda mais a divisão.
Será que a fé cega acredita honestamente na intervenção de um messias?

E aí chega o coronavírus. Outra divisão, e desta vez das mais inacreditáveis e surrealistas do mundo, com duas posições antagônicas no modo de enfrentá-lo, a saber: a do presidente, e a do ministro do presidente! Fecha o Brasil, abre o Brasil, a saúde, a economia, e mais o quê? O ministro, médico, abraça a ciência e a ordem mundial. O presidente agarra-se a uma opinião, carreia consigo milhões de pessoas, e milhões de pessoas entendem que o ministro do presidente está com a razão. A ciência, com todo o seu conhecimento acadêmico, não tem a resposta imediata ao inusitado, embora o vírus já existisse. É razoável boicotar ou fazer uso político de algum recurso medicinal que tenta somar-se ao combate da doença? Temos tempo para aguardar a confirmação de pesquisas em caso de urgência com vidas em risco? Por que não se chega a um meio-termo? Seria o embate em campo aberto do iluminismo versus o obscurantismo? Será que a fé cega acredita honestamente na intervenção de um messias? A clareza do dia teria condições de jogar luzes sobre o mito da caverna? Nem Platão nem Freud explica. E enquanto a pandemia grassa, eis o resultado do pandemônio ideológico: O governo dividido, as pessoas divididas, a nação dividida. O vírus não tem partido. A doença não distingue lado, a maldita pandemia é cruelmente democrática!

Não fui eleitor de Bolsonaro. Não fui eleitor de Haddad. No famígero segundo turno para a escolha de um dos dois, nenhum dos dois me inspirava confiança. Não compareci às urnas. Torci muito para Bolsonaro fazer um bom governo, e ainda torço, como torceria para Haddad, caso fosse o eleito, porque o presidente é de todos os brasileiros, e se o Brasil afundar eu sou um dos primeiros a beber água. Eu faço parte de um grande mosaico e não me encontro em casta privilegiada. Se a coisa der errado, não tenho para onde ir, não tenho onde me refugiar, não posso me autoexilar em Londres, Nova York ou Paris. Não sou da proa, sou da popa. Também não sou das galés, nem tanto; mas não tenho envergadura para passar incólume por qualquer intempérie. Por que tamanha divisão, meu Deus? Por que o pequeno soldado, munido do seu próprio veneno, engrossa a tropa insana e vai ao campo de batalha, dia após dia, defender um general que nunca saberá seu nome? Se daqui a pouco, lá no alto da pirâmide, ele se alia ao ex-adversário (isso é tão facil pra eles!), enquanto o soldadinho permanecerá com seus pés de chumbo colados à base, tentando justificar o injustificável? Qual é o benefício individual ou social que se tira disso? Por que essa necessidade de convencer quem já se convenceu do oposto e ambos julgam um ao outro com a mesma medida?

Agora vem o pior. Os extremos divididos vão ao embate com tanto sangue no olho que perdem a capacidade da visão. Aí, como já não enxergam, habituados a defender o que até certo ponto fazia sentido, agora já se lançam na missão suicida de defender o indefensável. Vejamos, não é biografia, mas experiência. Votei em Lula todas as vezes que ele foi candidato a presidente e o elegi duas vezes chefe da nação brasileira. Por ele, confesso que cometi exageros: afrontei, fui afrontado, falei coisas que não devia e ouvi coisas que não queria, tudo em defesa do presidente que eu ajudara a eleger. Era o meu presidente, era o homem que trazia o trabalhador à esfera do reconhecimento, era o homem que derrubaria as perversas oligarquias com suas maléficas práticas genocidas ao longo dos anos, era o meu igual, era o meu representante, e até seus adversários, muitos deles, começaram a admitir que o Brasil estava sob a batuta de um homem sério, competente, comprometido com o progresso e a moralidade, e ainda impulsionado pela favorável ordem econômica mundial que afagava o Brasil. Lula me dava subsídio para brigar por ele, para expor a minha cara, para rebater argumentos com outros argumentos. Um dia, já no seu segundo mandato, as coisas começaram a ficar estranhas à minha observação. De repente vejo Lula se aconselhando com o sr. José Sarney, abraçando o sr. Paulo Maluf, fazendo salamaleques a Renan Calheiros, Jader Barbalho, Edson Lobão etc, etc. Uma notícia feia aqui, outra ali, daqui a pouco outro malfeito – eufemismo criado para se referir à falta de vergonha de empresários e altos escalões da cúpula – mais um acontecimento esquisito, um escândalo, dois escândalos, escândalos em série e o resto já se sabe exaustivamente, pelo menos aos que de fato desejam saber. Já não votei em Dilma, bem como não votei em Aécio, que também nenhum dos dois me representava. E lá por essas épocas, constrangido de ainda algumas vezes tentar defender o indefensável, tomei uma prudente decisão:

Se não sou conivente com tanta bandalheira e canalhice, também não tenho que passar vergonha pela vergonha que não me pertence. Sou pequeno, sou humílimo, sou um mero cidadão no meio da turba. Mas não tenho compromisso com o erro, não tenho contrato de fidelidade com o processo corrupto, não tenho político de estimação. E querem saber? Fiquei mais leve, mais livre, mais racional e com visão privilegiada de quem olha panoramicamente o todo sem me escravizar por ideias passionais, e ainda com perspectiva de ver alternativas fora da bolha dos implacáveis siameses extremos. E eu os quero bem e os respeito a todos como pessoas, como profissionais, até como militantes partidários, é seu direito pleno, mas também é meu direito não querer participar no tempo deles. E me incomoda saber que perdemos o tempo enquanto poderíamos falar de tantas coisas relevantes ou não, e cada qual com suas convicções preservadas para si mesmo.

Não, não sou omisso, não sou indiferente, não sou alienado, que se o fosse não estaria aqui a discorrer sobre este lamentável momento. É com muito pesar que assisto aos meus amigos divididos, os velhos companheiros afastados, as reuniões informais virando ambientes de conflito. Muitas dessas pessoas não vejo como eleitores ou simpatizantes de determinada ideologia aptos a mudarem de ideia ante evidências. Vejo seguidores de seitas dogmáticas dirigidas por gurus altamente ávidos por se manterem a qualquer custo no poder e governar para uma casta, um segmento, um nicho, embora nada disso lhes interesse de fato, porque os leva quem der mais.

E aí está o vírus. O vírus que nos parte diante de uma sociedade já partida, em que cada um dá o que tem, segundo as vibrações que capta e que emana. Uns crescem na solidariedade, na doação de si mesmos, no estender da mão a quem já foi à lona. Outros se apequenam, se diminuem, se mostram tão minúsculos que nos espantam a ponto de perguntarmos: O que aconteceu? Essa figura não era assim! Será que diminuiu tanto ou apenas encontrou o ideal cenário para se revelar? E aí está ele. O bendito e democrático vírus que traz consigo o poder da letalidade. Quisera que ele tivesse um caráter espiritual para levantar de sobre os nossos olhos imperfeitos o véu do orgulho que nos impede de ver as qualidades do outro bem como de enxergar os defeitos nossos.

Começaria por aí. E então nos distanciaríamos pelo tempo necessário, talvez o tempo de sentir saudade, mergulharíamos no oceano fundo da nossa consciência para emergirmos depois reformados por dentro, respirando vigorosamente, capazes de dar um abraço em quem quer que fosse e de olhar nos olhos e dizer em tom minimamente civilizado, com firmeza, mas com ternura: Eu não concordo contigo. Mas eu te respeito! E que Eles e Nós, num só esforço desatássemos os nós que nos apertam o cérebro, o peito e a garganta. E agora, como sendo todos nós, cada um de nós traria agulha e linha para, juntos, remendarmos, até unir novamente as duas metades deste Brasil rasgado. Utopia? Quem sabe! Delírio? Não sei. Talvez um pouco de sonho, um punhado de esperança e uma grande medida de fé. É porque ainda sou dos que acreditam na razão, no bom humor, no diálogo franco, mas sou também dos que acreditam que Deus é a negação do impossível!

Antonio Victor é o compositor da música Alma Transparente, gravada pela dupla Chico Rey e Paraná e o cantor Leonardo, entre outras interpretadas por diversos cantores

O poeta Antonio Victor Dias Filho é autor da música inédita Mulher Negra. Entre as homenageadas, a apresentadora da TV Globo, Maria Júlia Coutinho, a popular Maju. Seu último livro publicado tem como título: Ira Sagrada (contos)

sábado, 11 de abril de 2020

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Olá! Aqui é o jornalista Walter Brito, pré-candidato a vereador no Rio de Janeiro. A nossa bandeira, o nosso carro-chefe rumo ao parlamento municipal do Rio de Janeiro é a defesa inconteste da terceira idade. Percebi, nesses tempos de pandemia, nos quatro cantos do Rio, como o idoso está sendo maltratado, especialmente nesta fase em que o vírus ataca todo o planeta Terra.

Nosso programa “RESPEITA JANUÁRIO” faz alusão ao grande Luiz Gonzaga, que mesmo depois de se tornar o Rei do Baião, de regresso a sua pequenina Exu, em Pernambuco, toma a “bença” e se curva em respeito ao velho pai, Januário.  

Esse respeito não é o que ocorre com nossos idosos, e não tem que ser assim, pelo contrário, temos que ser solidários com aqueles que mais correm o risco de contrair a doença fatal que já matou mais de 100 mil almas. E mais, independentemente da COVID-19, esses brasileiros com mais de 60 anos, sempre foram maltratados no Brasil, em especial pelo poder público. Por isso, a partir de agora, eu te convido: INSCREVA-SE no Programa “RESPEITA JANUÁRIO”, que você estará colaborando com o respeito aos mais velhos, ou seja, respeito com aqueles que já deram tanto e continuam oferecendo tanto, do seu trabalho e da sua experiência, ao nosso querido Brasil. O Brasil que tem o dever de retribuir a eles pelo tanto que já fizeram!









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